terça-feira, 10 de setembro de 2013

Vigilantes uniformizados - Conheça os super-heróis da vida real

Por Milena Veselinovic, da CNN - Traduzido e adaptado por Lucas Miranda


Quando o sol se põe sobre Seattle, Phoenix Jones tira seu traje e coloca uma máscara amarela e preta no rosto. Ele está se preparando para se aventurar na noite, em busca de alguém que esteja violando a lei.

O rapaz de 25 anos não é um policial com uniforme bacana, mas um dos mais proeminentes membros da comunidade de super-heróis da vida real, um movimento de pessoas que usam fantasias inspiradas em personagens de quadrinhos, tentando combater o crime em sua cidade.

Durante cinco noites por semana, Jones patrulha os bairros mais problemáticos de Seattle acompanhado de seu grupo: o Rain City Superhero Movement. A "Aliança" conta com 34 super-heróis dos Estados Unidos, Londres e Dubai.

A decisão de se tornar um verdadeiro super-herói veio depois que seu carro foi arrombado e seu filho foi ferido por estilhaços de vidro. "Eu decidi lutar ativamente contra o crime e me joguei completamente nessa missão", contou. "Depois dessa experiência, eu apenas senti que havia tanta indiferença das pessoas em torno do problema e queria fazer algo para tornar minha cidade mais segura", explicou.

O aventureiro mascarado foi indicado a Herói da Cidade, em uma enquete realizada entre leitores da revista Seattle Magazine, depois de ter impedido o roubo de um carro.

Um super-herói pouco convencional



Jones, cujo emprego é ensinar habilidades da vida (life skills) à crianças autistas, diz que não foi leitor de gibis quando era criança porque não conseguia se identificar com os heróis dos quadrinhos. "Eles nunca me atraíram", conta. "Por exemplo, o Batman, ele é um bilionário que vive em uma mansão e eu era apenas um garoto pobre".

Então, aos 14 anos, Jones se deparou com um personagem quase desconhecido chamado Nightwing, que trabalhava como garçom durante o dia e lutava contra o crime durante a noite, e era viciado nisso. "Eu me apaixonei por essa ideia, que você não precisa ter um monte de dinheiro para ir lá e fazer a diferença", disse.

Jones não enfrenta os criminosos despreparado. Ele é um ex-lutador de artes marciais mistas, e usa uma roupa à prova de balas que custou US$ 10.000, Kevlar reforçado, macacão à prova de fogo, feito com tecido inteligente D3L que endurece com o impacto.

Em ação, o super-herói esteve em apuros em 2011, quando foi preso por utilizar spray de pimenta contra pessoas inocentes na saída de um bar, em Seattle. Jones disse que estava tentando apartar uma briga, mais tarde ele foi liberado sem acusações.

Ajudar as vítimas de abuso

O chamado "Guardião de Seattle" é casado com a super-heroína Purple Reign (Reino Púrpura), que atua pela conscientização contra a violência doméstica.

"Eu estava sofrendo abusos, em um antigo relacionamento, tinha um monte de gente ao meu redor, mas ninguém fez nada. Agora quero inspirar outros a serem heróis e deixar a indiferença de lado quando vêem um abuso, além de conversar com as vítimas que ainda não encontraram sua voz", disse a super-heroína.

Com seu uniforme roxo e máscara, ela dá palestras anti-bullying em abrigos e escolas para mulheres, organiza eventos e promove projetos contra a violência doméstica. Sua campanha lhe rendeu, em novembro do ano passado, o prêmio Mulheres de Coragem, da Universidade de Washington.

Purple Reign explica que seu codinome representa a transformação que sofreu: de uma vítima a sobrevivente de violência doméstica. "O roxo (Púrpura) é uma cor muito utilizada em campanhas de sensibilização contra a violência doméstica, e "Reino" vem do fato de que agora reino sobre a minha própria vida", disse. "Vestir o traje ajudou a me sentir mais confiante e no controle, e deixar o passado para trás. Eu não sou mais uma vítima, me sinto poderosa", concluiu.

Ela usa suas habilidades de contadora, sua profissão, para auxiliar a Rain City Superhero Movement, uma espécie de Liga da Justiça dos heróis de Seattle. Reino Púrpura, nome em português, utiliza as informações divulgadas pelo 911 do departamento de polícia de Seattle para mapear crimes que permitam ao super-grupo atingir áreas mais problemáticas da cidade.

Purple Reign também patrulha a cidade com o grupo. Para isso, ela mantém um condicionamento físico de atleta para acompanhar o marido e explica que isso é fundamental para quem quer ser um super-herói da vida real.

Requisitos para se tornar um super-herói


Na verdade, Phoenix Jones recomenda que somente militares, policiais ou mestres em artes marciais devam considerar a carreira de super-herói. Isso porque seu treinamento poderia ajudá-los a lidar com situações potencialmente perigosas.

Para ser admitido na Aliança, nome como é conhecido o grupo de super-heróis de Seattle, as regras são ainda mais rígidas. Heróis em potencial devem ter: um emprego estável, não ter cometido qualquer crime de desonestidade, ser capaz de correr duas milhas em oito minutos e meio, e ser capaz de treinar com Jones três dias por semana durante o período de experiência.

Para aspirantes a super-heróis no exterior, a Aliança arrecada fundos por meio de sua página no Facebook. Esses recursos são utilizados ​​para ajudar os novatos a custear uma viagem à Seattle e fazer um curso intensivo de duas semanas para aprender a combater o crime como um verdadeiro super-herói.

Apesar de já ter sido baleado e esfaqueado duas vezes, Jones insiste que os super-heróis de Seattle não devem se envolver em problemas. "Noventa por cento do que fazemos é assistir", explica. "Se o local está sendo assaltado, chamamos a polícia e acompanhamos o agressor. Não atacamos ninguém, somos apenas pessoas normais que querem ajudar a sua comunidade".

Quando o assunto é combater o crime na velhice, Jones é pragmático: "Eu não acho que vou estar fazendo isso para sempre", disse. "Quando eu fizer 33 ou 34 anos, vou ter que parar ou usar alguma engenhoca incrível".

Mas Jones insiste que não é necessário um supertraje para ser um cidadão envolvido. "O que a Purple Reign e eu estamos tentando fazer é promover o ativismo comunitário. Qualquer um pode fazer campanha por uma causa, com ou sem um traje de super-herói".

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